Adriana Almeida Amaral, aluna do 5° período do curso de Relações Públicas da PUC Minas. Trabalho acadêmico realizado para a disciplina de Cinema e Vídeo.
Em 2009, o cineasta Quentin Tarantino lançou mais um sucesso. Bastardos Inglórios (2009, EUA) [IMDB - Site oficial] credita ao artista o roteiro, a produção e a direção do filme. Conhecido por sua vasta referência cinematográfica, adquirida em grande parte antes de chegar à fama, quando ainda muito jovem trabalhou como atendente em uma locadora de filmes, o cineasta mistura em seus roteiros diálogos inteligentes, violência, gêneros diversos e música marcante.
Inserido na temática do cinema de autor, Tarantino mantém em seu estilo características das filmagens do cinema experimental e preserva suas influências trazidas da nouvelle vague francesa. Embora receba muitas críticas por apresentar em seus roteiros cópias de outras produções, o cineasta tem uma grande capacidade de usar suas referências para criar algo novo e surpreendente para o público.
Como não poderia deixar de ser, Bastardos Inglórios carrega as principais marcas de seu roteirista. Utilizando o contexto da França invadida pela Alemanha na 2ª Grande Guerra, Tarantino apresenta uma nova possibilidade de desfecho para os fatos. O filme começa em 1940 e dá um salto para 1944, quando é desenrolada a história. Assim como Pulp Fiction – Tempo de Violência e Kill Bill, a trama é segmentada em capítulos, deixando ainda mais clara a linearidade da história.
O filme é ambientado em um período de guerra e apresenta, como todos os enredos de Tarantino, uma boa carga de violência e cenas cômicas muito marcantes. As piadas, assim como as passagens mais fortes, ficam por conta do personagem de Brad Pitt, Tenente Aldo Raine, e sua tropa de judeus americanos que chegam à França com o comando de matar violentamente o maior número de nazistas possível, com o objetivo de incutir o medo no exército alemão. Além disso, a astúcia e perspicácia do Coronel Hanz Landa (Christoph Waltz) chama atenção do espectador que percebe neste personagem toda a inteligência característica dos diálogos e tramas de Tarantino. Para marcar esta diversidade de gêneros presentes no filme, a trilha sonora é muito bem trabalhada e tem papel fundamental para o enredo.
Embora haja uma infinidade de elementos para análise, é interessante dar atenção especial ao filme Orgulho da Nação, inserido no enredo de Bastardos Inglórios. Usando a metalinguagem, o diretor mostra detalhes sobre a produção e exibição de filmes na década de 1940. Orgulho da Nação é estrelado por um soldado nazista que vive um momento heróico quando, sozinho, luta contra uma tropa de 300 soldados. Orgulhosos com o seu empenho, os alemães decidem rodar o filme com o próprio soldado interpretando o papel principal.
Apesar das cenas serem mostradas em segundo plano, enquanto os espectadores assistem aos movimentos em torno da chegada de Hitler ao cinema e aguardam pela vingança de Shosanna Dreyfuss (Mélanie Laurent), é possível perceber que as imagens são de violência pura e simples, sem a preocupação das filmagens serem equivalentes à época do filme. Ou seja, notoriamente os recursos de filmagens utilizados não são compatíveis para a época. Podemos interpretar esta sequência como uma crítica aos filmes de ação atuais, nos quais não existem tramas ou roteiros e sim um mocinho lutando e vencendo uma infinidade de vilões. Esta inserção de Tarantino é mais um gênero para a miscelânea de temáticas abordadas por ele em um mesmo filme.
Após todas essas considerações, vale dizer que Bastardos Inglórios, embora se passe em uma Grande Guerra, não traz como principal tema a violência, pois estas cenas são minoria dentro das 2h40min de exibição. O que fica é a inteligência da trama e a fantasia de um final emocionante para fatos cruéis da história mundial.